*Penelope - وبلاگ

*Penelope  
“Pare de correr atrás. Pare de se importar. Seja indispensável, DESAPEGUE. Pessoas GOSTAM do que não tem”
آخرین ارتباط:  پوکر تگزاس هولدم
25 روز 20 ساعت قبل   
  • O DIÁRIO DE SUZANNE (CONTINUAÇÃO) (13)

    • by: *Penelope,
    • date: 2010-08-17,
    • comments: 0,
    • views: 104

     

    Querido Nicholas,

     

    Eu o estou obesrvando enquanto escrevo, e voce é absolutamente magnífico. As vezes eu fico o admirando e mal posso acreditar que voce é meu filho. Voce tem o queixo de seu pai, mas decididamente o meu sorriso.

    Há um brinquedinho pendurado sobre seu berçoe, quando voce o puxa ele toca uma cançao. Isso o faz dar risadas na mesma hora. Acho que o papai e eu gostamos tanto de ouvir essa música quanto voce.

    Às vezes, nem consigo imaginá-lo com outra idade senão a que voce tem nesse segundo. Mas acho que toda mãe tende a cristalizar os filhos no tempo, ou a prensá-los como flores, quem sabe, perenemente perfeitos, para sempre eternos. Ao  niná-lo, às vezes, sinto-me como se estivesse segurando um pedacinho do paraíso no colo.

    Estou pensando em como o amei quando voce estava na barriga da mamãe. Amei-o desde o instante em que nos conhecemos. Quando o vimos pela primeira vez, voce olhou diretamente para o papai e para mim. E a expressão em seus olhos dizia: "Ei, estou aqui. Oi!".

    Papai e eu finalmente pudemos ve-lo, depois de meses imaginando como voce seria. Peguei sua cabecinha e encostei docemente em meu peito. Voce tinha dois quilos e oitocentos gramas de pura felicidade.

    Depois que o segurei, foi papai quem o pegou. Não podia acreditar que um bebê de apenas dez minutos pudesse estar olhando para ele.

    O filhinho de Matt.

    Nosso lindo NIcholas.

     

    CONTINUA...

  • O DIÁRIO DE SUZANNE (CONTINUAÇÃO) (12)

    • by: *Penelope,
    • date: 2010-08-17,
    • comments: 1,
    • views: 132

     

    Querido Nick,

    Lembra daquele pintor de paredes de que lhe falei? Pois bem, ele retornou na manhã seguinte para começar a operação plástica na casa. Sei disso porque me deixou um buquê das mais lindas flores silvestres, em rosa,vermelho,amarelo e roxo, sentadinho num pote de vidro junto à porta de entrada. Muito meigo, muito gentil e inesperadamente tocante.

    Também havia um bilhete.

     

    Cara suzanne,

    As luzes ainda estão apagadas em sua cozinha, mas espero que estas flores iluminem o seu dia. Quem sabe possamos nos encontrar um dia desses e fazer o que voce quiser, onde voce quiser.

    Picasso - mais comumente conhecido como seu pintor de paredes.

     

    Fiquei toda envaidecida. Não sentia vontade de sair com ninguém desde que Michael Bernstein me deixara.

    Enfim, ouvi o pintor dando marteladas em algum lugar e fui lá fora. Lá estava ele, empoleirado no telhado íngreme.

    - Picasso - gritei-, muito obrigado pelas flores,são lindas! Foi muita gentileza sua.

    - Ora, não foi nada. É que elas me lembraram voce.

    - Bom, voce adivinhou;são as minhas favoritas.

    - Que acha da idéia Suzanne? Talvez possamos sair para jantar um dia desses, dar uma volta de carro ou jogar mexe-mexe. Esqueci alguma coisa?

    Sorri, a despeito de mim mesma.

    - A coisa anda mei enlouquecida para mim neste momento,com os pacientes e tudo o mais. Tenho que fazer disso a minha prioridade,por enquanto. Mas foi muito gentil voce me convidar.

    Ele aceitou bem a recusa e deu um sorriso. Mas, em seguida, alisou o cabelo e disse:

    - Entendo. É claro que voce de dá conta de que, se não sair comigo pelo menos uma vez, não terei alternativa senão subir o preço.

    Gritei de volta:

    - Não, eu não sabia disso.

    - Pois é. É uma coisa absolutamente desprezível,uma prática comercial totalmente ilícita. Mas que é que se pode fazer? O mundo é assim.

    Ri e disse que levaria o fato seriamente em consederação.

    _ A propósito, quanto lhe devo pelo trabalho extra que voce já fez na garagem? - perguntei.

    - Aquilo? aquilo não foi nada... nada mesmo. É grátis.

    Encolhi os ombros, sorri e acenei um adeusinho. Era bom ouvir o que ele tinha dito - talvez porque o mundo não fosse assim.

    - Ora,obrigada, Picasso.

    - Ora, não há problema, Suzanne.

    E retomou sua tarefe de pôr um teto sobre minha cabeça.

     

    CONTINUA...

  • O DIÁRIO DE SUZANNE (CONTINUAÇÃO) (11)

    • by: *Penelope,
    • date: 2010-08-16,
    • comments: 2,
    • views: 102

     

    Nick,

    Num fim de tarde, quando voltava do Hospita de Martha's Vineyard, não consegui saber quem diabos estava sentado em minha varanda. Não podia ser o homem da compainha de luz, o o homem da telefônica, nem o da TV a cabo - eu recebera todos os três na véspera.

    Não: era Matt, o sujeito da pintura, o que deveria me ajudar em casa com tudo o que eu precisasse de uma escada, uma abertura ou um acabamento.

    O que a casa tinha de bonita, lhe faltava em funcionalidade.

    Mas esse sujeito ers genial, tomava notas, fazia perguntas pertinentes, e me disse que poderia consertar tudo antes do milênio. Da virada do milênio. Fechamos negócio no ato.

    De repente a vida me pareceu muito melhor. Eu tinha uma nova clinica de que gostava e um pintor de paredes de boa reputação.

    Quando finalmente me vi a sós em minha casinha à beira-mar, levantei os dois braços para o céu e gritei : "Viva!"

     

    CONTINUA...

  • O DIÁRIO DE SUZANNE (CONTINUAÇÃO) (10)

    • by: *Penelope,
    • date: 2010-08-16,
    • comments: 0,
    • views: 123

     

    Nicholas,

    Quando cheguei em Martha's Vineyard,estava insegura em relação a tudo, especialmente onde morar. Saí dando voltas de carro à procura de algo que dissesse "lar", "você se sentirá bem aqui", "não procure mais".

    A parte alta da ilha sempre fora especial para mim,porque era lá que eu havia passado tantos verões gloriosos. Sua aparência era a de um livro ilustrado para crianças, feita de sítios e cercas, estradas de terra e penhascos. a parte baixa era uma confusão de terraços com plataformas de observação, mirantes, faróis e enseadas.

    Foi um galpão de  barcos da virada do século que acabou roubando meu coração. E ainda rouba. Aquilo era estar realmente em casa.

    Ele precisava d ereparos, mas tinha calefação, e me apaixonei à primeira vista. Vigas antigas cruzavam-se no teto. Toda área do térreo descortinava a vista do mar. Portas enormes, como as de um celeiro,deslizavam a bombordo e a estibordo, trazendo para dentro tudo o que antes estivera do lado de fora.

    Você pode imaginar, NIck, o que é morar assim, praticamente na praia? Cada pedacinho de mim sabia que eu tinha tomado a decisão certa. Passei a viver entre Vineyard Haven e Oak Bluffs. Ora eu trabalhava em casa, ora fazia visitas domiciliares, mas no resto do tempo ficava no Hospital de Martha's Vineyard ou no Centro médico Ambulatorial Vineyard Haven. E também estava trabalhando um pouco em minha reabilitação cardiológica no centro médico.

    Exceto por Gus, eu vivia sozinha, mas me sentia contente. Talvez fosse por não ter idéia do que estava perdendo na época: seu papai e você.

     

    CONTINUA...

  • O DIÁRIO DE SUZANNE (CONTINUAÇÃO) (9)

    • by: *Penelope,
    • date: 2010-08-16,
    • comments: 1,
    • views: 123

     

    NICK,

    Cheguei à ilha de Martha's Vineyard como uma turista desajeitada,arrastando a bagagem do passado e ainda sem saber o que fazer com ela. Pretendia passar os primeiros dois meses enchendo a despensa de alimentos saudaveis, jogando fora as resvistas que haviam me acompanhado para minha nova casa e também me adaptando a um novo emprego.

    Dos cinco aos dezessete anos, eu havia passado os verões com meus avós em Martha's Vineyard. Adorei estar de volta. Gus e eu íamos a praia com frequencia no fim da tarde, para brincar de bola até o sol se pôr.

    Eu havia fechado negócio para ficar com o consultório e a clientela de um clínico gera que estava de mudança para Illinois. Sob certos aspectos, estávamos trocando de vida.Ele partia para Chicago no exato momento em que eu deixava a vida urbana. Meu consultório era um entre cinco, numa casa revestida de tábuas brancas de madeira, em Vineyard Haven. A casa tinha mais de cem anos e quatro antigas cadeiras de balanço na varanda da frente.

    " Médica do interior" tinha um som maravilhoso para mim, como os sinod anunciando a hora do recreio numa velha escola da roça. Tive a inspiração de pendurar uma tabuleta exatamente com esses dizeres: SUZANNE BEDFORD - MÉDICA DO INTERIOR.

    Comecei a dar cinsultas aos primeiros pacientes no meu segundo mês em Martha's Vineyard. Emily Howe, setenta anos, membro honorário das Filhas da Revolução Americana, teimosa e avessa a tudo o que havia acontecido em desde 1900. Diagnóstico: bronquite. Prognóstico:bom.

    Doris Lathem,93 anos, sobrevivente de três maridos, 11 cachorros e um incêndio em casa. saudável como um touro. diagnóstico:velhice. Prognóstico: viverá para sempre.

    Era perfeito para mim. Eu estava vivendo uma fantasia da qual estivera a milhões de quilometros de distância quando morava em Boston.

    Senti que havia chegado em casa.

    Eu não fazia idéia de que o amor da minha vida estaria aqui - à minha espera. Se fizesse, teria corrido diretamente para oa braços do papai. Num impulso.

     

    CONTINUA

  • O DIÁRIO DE SUZANNE (CONTINUAÇÃO) (8)

    • by: *Penelope,
    • date: 2010-08-16,
    • comments: 2,
    • views: 107

     

    NICK:

    Como você já deve ter percebido,tudo isso foi antes do papai,antes de Matt.

    Deixe-me falar-lhe do Dr. Michael Bernstein.

    Conheci Michael em 1996, no casamento de Jonh Kennedy e Carolyn Bessette,na ilha de Cumberland,na Geórgia. Devo admitir que nós dois tínhamos levado vidas bastante charmosas até então. Meus pais haviam morrido quando eu estava com dois anos, mas eu tivera a sorte de ter sido criada com muito amor por meus avós em Cornwall, no estado de Nova York. Frequentara a Academia Lawrenceville, em Nova Jersey, fizera o bacharelado na Universidade de Duke e, por fim, me formado em medicina em Harwad.

    Não poderia ter recebido melhor formação, só que em parte alguma eu havia aprendido a lição das cinco bolas.

    Michael tambem havia frequentado a Faculdade de Medicina de Harwad, mas só nos conhecemos no casamento de Kennedy. Eu era convidade de Carolyn e , ele  convidado de Jonh. O casamento em si foi um momento mágico,repleto de esperanças e promessas. Talvez isso tenha sido parte do que nos aproximou.

    O que nos manteve juntos nos quatro anos seguintes foi complicado. Em parte,era pura atração física. Michael era alto e lindo, com um sorriso radiante. Tínhamos muito interesses em comum. Além disso,éramos viciados em trabalho.

    Mas nenhuma dessa coisas é realmente amor, Nicholas. Pode acreditar em mim.

    Umas quatro semanas depois de meu infarte, um dia acordei às oito da manhã. O apartamento em que moravámos estava silencioso e eu me refestelei naquela calma. Finalmente, me levantei e fui à cozinha preparar meu cafè,antes de ir para a reabilitação.

    Tive um sobressalto ao ouvir um barulho. Era Michael. fiquei surpresa ao vê-lo em casa,já que ele quase sempre saía às sete. Estava sentado à mesinha da copa em que tomávamos o café da manhã.

    - Você quase me matou de enfarte. - disse eu,fazendo o que julguei uma piada bastante razoável.

    Michael não riu. Deu um tapinha no assento da cadeira ao seu lado.

    E então, com a calma que eu havia me acostumado nele, falou-me das três razões principais por que estava indo embora: não conseguia conversar comigo como conversava com seus amigos homens, achava que eu não poderia ter filhos nesse momento,por causa do ataque cardíaco, e já havia se apaixonado por outra pessoa.

    Saí correndo da cozinha e de casa. Naquela manhã, a dor que senti foi pior ainda do que o enfarte. não havia nada certo na minha vida; até aquele momento, eu fizera tudo errado.

    Eu adorava ser médica, mas estava  tentando exercer a profissão num hospita burocrático de cidade grande, o que simplesmente não era para mim.

    A razão de eu trabalhar tanto era que não havia mais nada de importante em minha vida. Eu ganhava 120 mil dólares por ano, mas gastava-os em jantares,fugidas de fim de semana e roupas que não precisava.

    A vida inteira eu tinha desejado ter filhos e, no entanto, ali estava,sem alguém que me fosse significativo,sem filhos e sem nenhum projeto.

    Veja só o que eu fiz, meu menininho.

    Comecei a viver a lição das cinco bolas.

    Demiti-medo emprego do hospital. Deixei de lado meus horários trucidantes. Mudei-me para o único lugar do mundo em que sempre fora feliz. Fui para lá, na verdade, para remendar um coração partido.

    Eu vinha dando voltas a mais voltas incessantes, como uma cobaia numa roda dentro de uma gaiola minúscula. minha vida estava esticada até o limite, e era fatal que alguma coisa arrebentasse. Infelizmente,tinha sido meu coração.

    Não foi mudança pequena, Nick; eu estava decidida a mudar tudo.

     

    CONTINUA

  • O DIÁRIO DE SUZANNE (CONTINUAÇÃO) (7)

    • by: *Penelope,
    • date: 2010-08-15,
    • comments: 2,
    • views: 101

     

    No dia seguinte recebi uma ponte coronariana no Hospital Geral de Massachusetts. Fiquei fora de circulação quase dois meses,e foi durante minha recuperação que tive tempo de pensar,pensar de verdade,talvez pela primeira vez em minha vida.

    Examinei minuciosamente minha vida em Boston e o tanto que ela se tornara caótica,com plantões,as horas e os turnos dobrados. Pensei em como me vinha sentido,pouco antes de acontecer aquela coisa terrível. Lidei também com minha própria negação. Minha família tinha um histórico de cardiopatias,e, apesar disso,eu não tomara o cuidado que deveria.

    Foi durante minha recuperação que um amigo me contou a história das cinco bolas. Nunca se esqueça dela, Nick. É tremendamente importante.

    É assim.

    Imagine que a vida é como um jogo em que você faz malabarismos com cinco bolas. Ela se chamam trabalho,família,saúde,amigos e inteireza. E você as mantêm todas no ar. Um dia, porém,finalmente copreende que a bola chamada trabalho é de borracha. Se você a deixar cair,ela quicará de volta. As outras quatro - família,saúde,amigos e inteireza - são de cristal. Se você deixar cair uma dessas,ela ficará irremediavelmente arranhada,lascada ou, quem sabe, até estilhaçada. E,quando houver compreendido de verdade a lição das cinco bolas, você conquistará o começo do equilíbrio em sua vida.

    Nick, eu finalmente entendi.

     

  • O DIÁRIO DE SUZANNE (CONTINUAÇÃO) (6)

    • by: *Penelope,
    • date: 2010-08-15,
    • comments: 3,
    • views: 145

     

    Deixe-me começar contando a história de uma noite cálida e perfumada de primavera em Boston.

    naquela época eu trabalhava no Hospital Geral de Massachusetts. Fazia oito anos que era médica.Havia momentos que eu absolutamente adorava: ver pacientes melhorarem, e até estar com alguns que não se recuperariam. Por outro lado, havia a burocracia e a desanimadora insuficiência do programa de assistência médica de nosso país.

    Eu havia terminado um plantão de vinte e quatro horas e me sentia mais cansada do que tudo o que você pode imaginar. Estava dando uma volta com meu fiel labrador dourado, Gustavus, também conhecido como Gus.

    Acho que preciso lhe dar um pequeno instantâneo de como eu era nessa ocasião. Eu tinha cabelos louros e 1,65 de altura;não era exatamente bonita, mas era agradável de olhar, e quase sempre tinha um sorriso amistoso para quase toda a raça humana. Não era muito ligada nas aparências.

    Esse era um fim de tarde de sexta-feira e lembro-me de que o ar estava límpido como cristal. Estávamos no Boston Public Garden, perto dos pedalinhos em forma de cisne. Esse era o nosso trajeto habitual, especialmente quando meu namorado, Michael, estava trabalhando, como seria o caso nessa noite.

    Gus tinha se soltado da coleira para perseguir um pato e saí correndo atrás dele.De repente, fui atingida pela pior dor que já havia experimentado. Era tão intensa,que caí de quatro. Pontadas cortantes como navalhas disparavam acima e abaixo por meu braço, atravessavam minhas costas e subiam para meu queixo. Perdi o fôlego. Não tinha certeza do que estava acontecendo comigo,mas alguma coisa me disse:coração.

    Eu queria gritar por socorro, mas até uma simples palavra estava fora do meu alcance. O jardim arborizado rodopiava feito um carrossel. Algumas pessoas apreensivas começaram a se juntar a meu redor.

    Coração? Meu Deus, eu só tinha 35 anos.

    - Chamem uma ambulância - alguém gritou- Ela está passando mal. Acho que está morrendo.

    " Não estou!", tive vontade de gritar. Não podia estar morrendo.

    Minha respiração foi ficando mais difícile comecei a mergulhar na escuridão,no nada. " Ai meu Deus", pensei."Fique viva,respire,fique consciente, Suzanne."

    Devo ter desmaiado por alguns minutos. Quando voltei a mim,estava sendo içada para dentro de uma ambulância. As lágrimas me corriam pelo rosto. Meu corpo estava ensopado de suor.

    - A senhora vai melhorar. Está tudo bem. - a socorrista da ambulância repetia.

    Olhei para ela e, com todas as minhas forças que consegui juntar, murmurei: - Não me deixe morrer.

    A última coisa de que me lembro é da mascara de oxigênio sendo colocada em meu rosto e de um cansaço mortal espalhando-se por todo meu corpo.

     

    CONTINUA

  • O DIÁRIO DE SUZANNE (CONTINUAÇÃO) (5)

    • by: *Penelope,
    • date: 2010-08-14,
    • comments: 1,
    • views: 115

     

    O DIÁRIO ( escrito por Suzanne)

     

    Querido Nicholas,meu principezinho:

    Por anos e anos me perguntei se um dia seria mãe.

    Durante esse tempo, eu tinha um sonho constante de que seria uma coisa maravilhosa e sensata gravar uma fita de vídeo para meus filhos todos os anos, para lhes dizer o que eu pensava, como era grande o meu amor por eles, as coisas que me preocupavam e as que me faziam rir ou chorar.

    Eu teria adorado fitas assim,se minha mãe e meu pai as houvessem gravado a cada ano,para me dizer quem eram eo que sentiam a meu respeito e em relação ao mundo.

    Acontece que não sei quem eles foram, e isso é triste.

    Portanto, gravarei uma fita para voce todos os anos - mas há uma outra coisa que quero fazer para você, meu doce menino. Quero escrever este diário, e prometo fazer fielmente todas as anotações.

    No momento em que escrevo essa primeira anotação, voce está com duas semanas de vida. Mas quero começar por lhe contar umas coisas que aconteceram antes de seu nascimento. Quero começar antes do começo,por assim dizer.

    Isto é unicamente para seu conhecimento, Nick.

    Eis o que aconteceu com Nicholas, Suzanne e Matt.

     

    CONTINUA...

     

  • O DIÁRIO DE SUZANNE (CONTINUAÇÃO) (4)

    • by: *Penelope,
    • date: 2010-08-14,
    • comments: 1,
    • views: 172

     

    katie não suportou trabalhar nesse dia. Não poderia encarar o pessoal do escritório. Ou mesmo os estranhos num ônibus. No barco, já percebera olhares curiosos em número suficiente para a vida inteita.

    Quando voltou ao apartamento, depois do passeio de barco, havia um embrulho encostado na porta de entrada. Ela achou que fosse algum manuscrito do escritório. Será que não conseguiam deixá-la em paz nem mesmo por um dia? Afinal, tinha direito a um dia de privacidade, uma vez ou outra. Trabalhava duro para eles. E eles sabiam o quanto era apaixonada por seus livros.

    Katie era editora-chefe de uma conceituadíssima editora de Nova York, especializada em romances e poesia. Adorava seu trabalho. E era lá que o havia conhecido. Cerca de um ano antes,entusiasmada, ela havia comprado de uma pequena agência literária de Boston o primeiro livro de Matt.

    Os dois tinham se entendido às mil maravilhas desde o primeiro instante - realmente se entendido. Poucas semanas depois, estavam apaixonados - ou, pelo menos, era no que havia acreditado Katie, com coração,a alma,o corpo e a mente.

    Ao se abaixar para pegar o embrulho, ela reconheceu a letra. Era de Matt. Não tinha a menor dúvida.

    Quase deixou o pacote cair. Depois teve vontade de atirá-lo longe, com todas as forças de seu corpo.

    Não atirou. Excesso de autocontrole, era esse seu problema. Fixou os olhos no embrulho. Por fim, respirou fundo e rasgou o papel. O que encontrou lá dentro foi um pequeno diário de aparência antiquada. Não compreendeu. Depois, sentiu um aperto no peito.

    "Diário de Suzanne para Nicholas", dizia o título escrito a mão na capa, mas não era a letra de Matt.

    Suzanne??

    De repente a cabeça de Katie começou a rodar e ela mal conseguiu respirar. Matt sempre fora muito fechado no que dizia respeito a seu passado. Uma das coisas que ela havia descoberto, numa noite em que juntos tinham tomado duas garrafas de vinho, era que o nome da mulher de Matt era Suzanne. Mas ele não quisera falar de Suzanne.

    As únicas discussões entre os dois tinham girado em torno do silêncio de Matt sobre seu passado. Katie insistia em obter mais informações, o que só fazia aumentar esse silêncio. E isso não era do feitio dele. Um dia, depois de uma briga feia a propósito dessa questão, Matt lhe dissera que já não estava casado com Suzanne. Havia jurado que não, mas fora só o que dispusera a dizer.

    Quem era Nicholas? E por que Matt mandara esse diário? Os dedos de Katie tremiam ao abrir a primeira página. Havia um bilhete de Matt, e Katie leu:

    Querida Katie,

     

    Não tenho palavras nem mesmo para começar a lhe dizer o que estou sentindo. Lamento imensamente o que deixei acontecer entre nós. Foi culpa minha. Aceito toda a culpa. Você é perfeita,linda, maravilhosa.

    Talvez este diário explique as coisas melhor do que eu jamais conseguiria. Se tiver disposição, leia-o.

    Ele diz respeito a minha mulher, a meu filho e a mim.

    Mas eu advirto de que haverá trechos que talvez lhe sejam dificeis de ler.

    Nunca esperei me apaixonar por você, mas me apaixonei.

    Matt.

    Katie virou a página.

     

    CONTINUA...

صفحه: 2

1